Este aqui ainda é o layout original do blog, e já está para fazer seis anos. Nem parece. E nunca pensei que fosse durar este tempo todo, apesar a falta de ideias/vontade de postar nos últimos tempos.
Vai ver, é excesso de preocupação com o trabalho.
24 fevereiro 2011
Do carro
Sim, estou aprendendo a negociar melhor.
Se ainda não fechei como eu queria, ao menos não fui por impulso para me arrepender depois.
Parece fácil falar, mas na hora as coisas mudam.
Amanhã (o dia só acaba quando eu durmo) vou novamente à luta.
****
Inveja do Silvio Santos, uma lenda em materia de negócios. Quando teve uma filha sequestrada (não tenho filha e, se tiver, não irei querer vê-la sequestrada), baixou o valor do resgate de R$ 8 milhões para R$ 500 mil.
Na verdade, diminuiu para meio milhão de reais. Foi o que ele mandou o negociador da polícia falar para os sequestradores.
Não quinhentos mil, mas meio milhão.
Se ainda não fechei como eu queria, ao menos não fui por impulso para me arrepender depois.
Parece fácil falar, mas na hora as coisas mudam.
Amanhã (o dia só acaba quando eu durmo) vou novamente à luta.
****
Inveja do Silvio Santos, uma lenda em materia de negócios. Quando teve uma filha sequestrada (não tenho filha e, se tiver, não irei querer vê-la sequestrada), baixou o valor do resgate de R$ 8 milhões para R$ 500 mil.
Na verdade, diminuiu para meio milhão de reais. Foi o que ele mandou o negociador da polícia falar para os sequestradores.
Não quinhentos mil, mas meio milhão.
Sem crifras
O comum deste blog é tentarem decifrar o que eu escrevo, apesar de tudo estar sempre às claras, de maneira límpa. Juro que os últimos posts nada têm de cifrados ou o qualquer coisa parecida.
Mesmo!
Mesmo!
Meeting
Conheci hoje a respectiva do meu irmão André.
O mundo dá voltas, realmente.
Que sejam boas voltas, então.
O mundo dá voltas, realmente.
Que sejam boas voltas, então.
Ainda
Las vacaciones se aproximam.
Serão 16 dias fora, e isso que eu perdi a promoção da AA para a Filadélfia por US$ 350, ida e volta.
Teria ido, sim.
Mesmo que a novela carro continue indefinida.
Ontem um vendedor disse que eu estava na profissão errada, tamanha a inflexibilidade para negociar.
E isso que o corno (desculpem a expressão) ainda tinha uns R$ 3 mil para tirar da parte dele.
Moral da história: elogiam-te para te fazer de bobo.
Eu, foras...
****
Não fechei com o corno do carro (nada contra quem é, que fique bem claro, se bem que acho que ninguém vai vestir este chapéu - furado? - e tomar as dores).
Serão 16 dias fora, e isso que eu perdi a promoção da AA para a Filadélfia por US$ 350, ida e volta.
Teria ido, sim.
Mesmo que a novela carro continue indefinida.
Ontem um vendedor disse que eu estava na profissão errada, tamanha a inflexibilidade para negociar.
E isso que o corno (desculpem a expressão) ainda tinha uns R$ 3 mil para tirar da parte dele.
Moral da história: elogiam-te para te fazer de bobo.
Eu, foras...
****
Não fechei com o corno do carro (nada contra quem é, que fique bem claro, se bem que acho que ninguém vai vestir este chapéu - furado? - e tomar as dores).
19 fevereiro 2011
BBBBBB
Ex-BBBBBBB Ariadna terá ensaio em edição especial de 48 páginas da Playboy.
48 páginas!
Isso mesmo.
É página a dar com pau, heinhô Batista?
48 páginas!
Isso mesmo.
É página a dar com pau, heinhô Batista?
16 fevereiro 2011
Batalha
Faz tempo que quero trocar de carro, mas é uma batalha fazer um bom negócio.
Primeiro, porque nunca valorizam direito o usado. É sempre abaixo do valor real, seja para troca ou em picareta.
Segundo: financiar acaba como uma fria. Vi o exemplo em um anúncio de um i30 no jornal. O carro custava R$ 57.900 à vista, mas havia uma opção de parcelar com 60 parcelas e alguns reforços. O preço final do carro dava R$ 96 mil!
E isso que não entra aí a contratação do financiamento, que varia de R$ 500 a R$ 2 mil, conforme a montadora e a cara do freguês. Acho isos um escárnio, mas como a maioria paga, acaba prevalecendo.
Moral da história: vou vender o usado para algum particular e esperar até achar a melhor proposta pelo novo. Ontem ainda ligaram de uma revenda. Era o gerente, com um papo de que "fevereiro anda meio difícil".
Mas ele facilitar para fechar negócio, nada. Azar é dele.
Primeiro, porque nunca valorizam direito o usado. É sempre abaixo do valor real, seja para troca ou em picareta.
Segundo: financiar acaba como uma fria. Vi o exemplo em um anúncio de um i30 no jornal. O carro custava R$ 57.900 à vista, mas havia uma opção de parcelar com 60 parcelas e alguns reforços. O preço final do carro dava R$ 96 mil!
E isso que não entra aí a contratação do financiamento, que varia de R$ 500 a R$ 2 mil, conforme a montadora e a cara do freguês. Acho isos um escárnio, mas como a maioria paga, acaba prevalecendo.
Moral da história: vou vender o usado para algum particular e esperar até achar a melhor proposta pelo novo. Ontem ainda ligaram de uma revenda. Era o gerente, com um papo de que "fevereiro anda meio difícil".
Mas ele facilitar para fechar negócio, nada. Azar é dele.
Reporteros
Dia do reportero é hoje. Não sou muito de autohomenagens, mas vai o parabéns a todos os colegas nesta profissão duranga.
Enfim, a gente ganha pouco mas ainda se diverte.
Enfim, a gente ganha pouco mas ainda se diverte.
11 fevereiro 2011
Perguntinha...
feita por um colega aqui do trabalho, há pouco, sobre a queda do ditador do Egito:
– Você compraria um carro usado do Hosni Mubarak?
– Você compraria um carro usado do Hosni Mubarak?
06 fevereiro 2011
UFC
A ideia no aniversário do Ju, sábado à noite, era comprar o PPV do UFC 126 entre Anderson Silva e Belfort.
Era pra ser a luta do século.
Custava uns R$ 50.
Por problemas na Sky lá em Venâncio, não deu liga.
Pois os dois levaram um minuto e 30 segundos até encostarem um no outro pela primeira vez.
E a luta toda teve três minutos e 25 segundos, até o Silva dar uma solada no queixo do Belfort e vencer por nocaute.
Por baixo, economizamos R$ 16 por minuto. Mas nem posso falar nada porque entraria no racha do PPV.
Era pra ser a luta do século.
Custava uns R$ 50.
Por problemas na Sky lá em Venâncio, não deu liga.
Pois os dois levaram um minuto e 30 segundos até encostarem um no outro pela primeira vez.
E a luta toda teve três minutos e 25 segundos, até o Silva dar uma solada no queixo do Belfort e vencer por nocaute.
Por baixo, economizamos R$ 16 por minuto. Mas nem posso falar nada porque entraria no racha do PPV.
01 fevereiro 2011
De volta
Passei uns dias fora, a trabalho, e foi uma correria o tempo todo. Menos mal que deu pra fazer umas compras, como renovar o estoque de vodkas.
Peixe
Só quero ver alguém sobreviver a uma oferta dessas do Peixe Urbano:
70% OFF em Esfoliação+Peeling de Diamante+Máscara de Carvão Ativo+Sérum Hidratante na Galeria da Beleza(de R$150 por R$45). Use até 2 cupons.
Carvão ativo = brasa?
26 janeiro 2011
Aí...
Aí, o que eu vinha frisando há tempo. Mas agora escrito pelo David Coimbra:
Para você, otário
Quero escrever agora para você colorado, você gremista, você palmeirense, você flamenguista, você torcedor de futebol.
Você é um otário.
Faz tempo que sei disso, mas só agora, depois do Caso Jonas, resolvi me manifestar e dizer a verdade. A verdade é que você é um trouxa.
Você discute com seu amigo por causa de futebol, ofende o juiz, insulta o jornalista, você passa a noite sem dormir, sonha acordado com um novo centroavante, vai ao aeroporto para recebê-lo, pula de alegria na Goethe, rasga de raiva o jornal, viaja atrás do time, vê jogo na chuva.
Você é muito burro. Eles não estão nem aí para você. Eles se dizem "profissionais". Mentira. Um profissional de verdade é um amador. Porque faz as coisas com amor. Porque seus valores são mais do que valores monetários. Ele quer ser recompensado, sim, mas por um trabalho digno, tratando os outros com dignidade, sendo ele próprio digno e reto. Sendo um homem de verdade.
Jonas e Ronaldinho são símbolos desse profissionalismo que não é profissional. Dessa imoralidade em que se transformou o futebol. Jonas, antes de ir embora sem nem dar explicação, xingou a torcida. Perfeito! Naquele momento, ele foi verdadeiro.
Ele queria dizer isso mesmo. Queria dizer como você é otário, burro, trouxa. Você que paga ingresso, compra camiseta, dá audiência.
Idiota, é o que você é.
Eu, como alguém que volta e meia escrevo sobre essa atividade econômica, que é o futebol, eu lhe sugiro: gaste sua energia e seu tempo com outra atividade. Leia um livro, assista a um bom filme, vá a uma peça de teatro, saia com os amigos, ame sua mulher, brinque com seu filho ou até jogue bola. Mas não seja mais otário.
Para você, otário
Quero escrever agora para você colorado, você gremista, você palmeirense, você flamenguista, você torcedor de futebol.
Você é um otário.
Faz tempo que sei disso, mas só agora, depois do Caso Jonas, resolvi me manifestar e dizer a verdade. A verdade é que você é um trouxa.
Você discute com seu amigo por causa de futebol, ofende o juiz, insulta o jornalista, você passa a noite sem dormir, sonha acordado com um novo centroavante, vai ao aeroporto para recebê-lo, pula de alegria na Goethe, rasga de raiva o jornal, viaja atrás do time, vê jogo na chuva.
Você é muito burro. Eles não estão nem aí para você. Eles se dizem "profissionais". Mentira. Um profissional de verdade é um amador. Porque faz as coisas com amor. Porque seus valores são mais do que valores monetários. Ele quer ser recompensado, sim, mas por um trabalho digno, tratando os outros com dignidade, sendo ele próprio digno e reto. Sendo um homem de verdade.
Jonas e Ronaldinho são símbolos desse profissionalismo que não é profissional. Dessa imoralidade em que se transformou o futebol. Jonas, antes de ir embora sem nem dar explicação, xingou a torcida. Perfeito! Naquele momento, ele foi verdadeiro.
Ele queria dizer isso mesmo. Queria dizer como você é otário, burro, trouxa. Você que paga ingresso, compra camiseta, dá audiência.
Idiota, é o que você é.
Eu, como alguém que volta e meia escrevo sobre essa atividade econômica, que é o futebol, eu lhe sugiro: gaste sua energia e seu tempo com outra atividade. Leia um livro, assista a um bom filme, vá a uma peça de teatro, saia com os amigos, ame sua mulher, brinque com seu filho ou até jogue bola. Mas não seja mais otário.
18 janeiro 2011
Pois
Os críticos atacam meu gosto por videogame. Pois não jogo desde a década passada! Não é mês passado ou ano passado. É década, mesmo.
Aliás, o videogame está em Venâncio. Deve estar sob cuidados do meu pai.
Aliás, o videogame está em Venâncio. Deve estar sob cuidados do meu pai.
17 janeiro 2011
Herança de Floripa...
...que andava esquecida, e lembrei agora, é uma receita de camarões com especiarias. Comi em um almoço num sábado, em um restaurante da via gastronômica de Coqueiros, na companhia da querida Alexandra.
Como o blog tem vasta audiência na minha casa, segue a receita (uma boa para o próximo sábado, aliás):
Camarão refogado na manteiga, com nata, catupiry, azeitonas, palmito, champignon, açafrão e ervas finas, gratinado com queijo mussarela. Acompanham arroz, salada e batata sauté.
Como o blog tem vasta audiência na minha casa, segue a receita (uma boa para o próximo sábado, aliás):
Camarão refogado na manteiga, com nata, catupiry, azeitonas, palmito, champignon, açafrão e ervas finas, gratinado com queijo mussarela. Acompanham arroz, salada e batata sauté.
Calorão
Calor pouco é bobagem. Ontem suei uma vida e meia em Canoas, trabalhando no glorioso clássico Inter-Cruz (com reservas contra titulares com bola de reservas). Lindo foi entrar em campo com sol das 15h para as entrevistas de praxe.
Hoje foi mais tranquilo, graças ao ar-condicionado bombando o dia inteiro. Menos pela manhã, quando fui à academia (!!!) correr.
A ideia é repetir a dose de exercícios amanhã, apesar da possibilidade de encher copos à noite.
Aliás, por que o as coisas boas ajudam a engordar (menos uma, claro)?
Hoje foi mais tranquilo, graças ao ar-condicionado bombando o dia inteiro. Menos pela manhã, quando fui à academia (!!!) correr.
A ideia é repetir a dose de exercícios amanhã, apesar da possibilidade de encher copos à noite.
Aliás, por que o as coisas boas ajudam a engordar (menos uma, claro)?
Operação Barriga - update 2
O moral das tropas vai de mal a pior, e o inimigo alastra o território de forma alarmante. Teremos de começar uma virada para já nos rumos da interminável Operação Barriga.
Dá uma impressão de que isto já foi escrito, mas o que fazer? A virada de ano e os dias de férias em janeiro acabaram trágicos em questões de massa (para não dizer tonelagem).
Dá uma impressão de que isto já foi escrito, mas o que fazer? A virada de ano e os dias de férias em janeiro acabaram trágicos em questões de massa (para não dizer tonelagem).
11 janeiro 2011
Atualização
Ronaldinho fechou com o Fla ontem à noite. Nosso sonho acabou (post abaixo).
Mas, pelo menos, dá mais tempo de achar alguém pra jogar no lugar dele!
Adriano???
Mas, pelo menos, dá mais tempo de achar alguém pra jogar no lugar dele!
Adriano???
10 janeiro 2011
Contratamos?
O blog revela, em primeira mão, como sempre.
Depois dos intermináveis impasses envolvendo o destino de Ronaldinho, decidimos entrar na briga. O plural se explica: estou representando minha turma do futebol das terças para contar com Ronaldinho no jogo da noite de amanhã, uma terça, oras.
Ávido por fechar com um reforço tão importante, de imediato fiz contato telefônico com Roberto de Assis, irmão e representante do craque. Enviei mensagens com minhas intenções para cada um dos quatro celulares do procurador.
Passavam-se 23 minutos das 16h desta tarde quente na capital gaúcha quando um bip de mensagem ressoou no meu aparelho. Era Assis, dando sinal de vida por meio de um daqueles números - o de final 0171.
Foi direto como um raio:
- Este jogo seria interessante para o Ronaldo. Qual a propostas de vcs?
Um tanto tomado pelo entusiasmo, já imaginando uma linha de frente mágica composta por Luciano, Gonza e Ronaldinho (eu sou um dos que escolhe os times), repliquei. Meus números:
- Treze jogadores, a R$ 30 por cabeça, mais isenção total no valor da quadra. Churrasco com 10kg de costela e 12 caixas de cerveja após a partida.
A tensão volta a trincar minha espinha após o clique no botão enviar - talvez o clique mais importante da minha vida. Montei sítio ao lado do celular, aguardando um "sim". Dois minutos encerraram a espera. Direto do 0171, o torpedo de Assis:
- Começamos bem. Proposta de acordo. Só um adendo: 30 kg de picanha, 18 de granito, duas ovelhas e a exploração da quadra pelos próximos 250 mil anos.
Estremeci. Parecia um tanto exagerado, difícil de conseguir. Mas sou brasileiro, e brasileiro não desiste nunca. Disquei os dígitos do dono da quadra e, pasmem, o convenci em três minutos de conversa.
Ficou feliz, riu como um garoto. Algo me fez suspeitar de estar falando com um colorado, e o bom-senso tão necessário neste mundo de negócios calou minha boca em nome de um bem maior, a contratação de Ronaldinho.
E eu estava quase conseguindo. Nós. Do jogo das terças.
Estabeleci novo contato com Assis. Ousei. Estourei o orçamento. Em vez de SMS, ligação - sorte que era código 51.
- Assis? Tudo bem?
- Fala, fera!
- Aquela coisinha lá que você queria, eu consegui.
- A picanha?
- Não...
Assis interrompe, irritado:
- A cerveja? Não me vem com Skol, eu quero Colônia.
Modulei o tom de voz e respirei fundo. Seria preciso muito tato para retormar o fio, não inviabilizar a negociação.
- Não, Assis. Falo dos 250 mil anos de exploração da quadra aqui na Zona Norte de Porto Alegre.
- Ahh, claro, claro. Legal, fera, aprecio sua sensibilidade.
E se fez novo silêncio. Parecia interminável. Quarenta e cinco segundos sem palavras (fora algumas em italiano, pronunciadas ao fundo e audíveis na ligação). Arrisquei:
- Bueno, então fechamos, certo. Diz pro Ronaldinho aparecer lá uns 10 minutos antes das onze e meia. Tem que levar o próprio calção e a chuteira de sete.
Assis gargalhou. Senti o drama.
- Ih, parceiro, estamos quase lá. Por mim, até, já estamos lá. Mas falta a liberação dos italianos. Eles complicam horrores. O Galliani está aqui comigo e também curtiu a proposta. Só quer um aditivo.
- Qual? - pergunto, já horrorizado com um possível vexame por falta de créditos no celular.
- Galliani pediu carne. Jantar no rodízio do Tirol. E uma participação no programa da Márcia, no SBT. Gostaria de voltar a ter cabelos, e nesta passagem pelo Brasil descobriu que a produção paga implantes aos participantes...
Bufei de raiva, confesso. Mas jogar com Ronaldinho representaria a consagração, o ápice - e um desejo oculto, o de fazê-lo pular como um peixe para fora do aquário depois de um carrinho meu. Fui sucinto:
- Vou ver, retorno.
Na verdade, tratou-se de nova jogada estrategista. Imediatamente recarreguei os créditos e apelei para todos os contatos possíveis. Meu vasto network resolveu em 35 minutos. Atendi as exigências de Galliani. Ronaldinho voltaria, mesmo, aos gramados gaúchos.
Torno a chamar o celular de final 0171. Assis atende, com alguma demora. Antes do alô, faz ruídos. Parece mastigar uma pizza.
- Faaaala, fera? Fechamos?
Engoli seco, incrédulo.
- Fechamos?
- Você conseguiu as paradas do gringo?
- Consegui.
- Então me passa seu e-mail que encaminho a minuta do contrato. O Ronaldo disse que vai ser uma alegria maravilhosa jogar com vocês.
Transpassados estes trâmites, abro o laptop e acesso o Yahoo. Emoção no mais bruto estado. "Uma mensagem nova" pisca na tela. Receoso como sou, ainda temo por um e-mail do Peixe Urbano com 63% off no tratamento de resíduos na Eros Zaffine.
Nada disso. Assis escreveu. Um arquivo .doc em anexo. Contrato, contrato.
Leio a minuta. Assusta a empolação, com repetidos "outrossim" e "vossa senhoria". Não tanto como a cláusula de 20 milhões de euros de indenização caso o time de Ronaldinho - o de colete, obrigatoriamente - perca. Sem contar 99 anos de concessão da área do Cais Mauá, caso se machuque.
Pensei, pensei, consultei as bases, e todos acharam viável. Ele se paga, foi o que disseram.
Retornei o e-mail a Assis com um "ok" acompanhado de cópia escaneada do contrato, com minha assinatura. Abri uma Sidra Cereser, brindei, festejei, lavei calções, camiseta e meiões. Seria o jogo da minha vida. Até piscar a resposta de Assis.
Corri para o laptop.
- Beleza, fera. Confirmo em seguida. O pessoal do jogo das sete fez uma proposta muito boa, e para jogar duas vezes na mesma noite tem que haver uma compensação condizente com tamanho esforço do meu atleta. Ele já fechou com um pessoal aí pra um pagode às duas, e se não estiver 100% não tem espetáculo, magia, samba...
Deu vontade de chorar, confesso. Ainda assim, segurei a onda. Não respondi. Vou atacar com tudo no começo da tarde desta terça.
Será uma proposta irrecusável, nem que tenha de ceder o gerenciamento dos cadastros do Banricompras ad eternum.
Uma coisa, porém, ficou incomodando: a sensação de, no fim das contas, acabar tomando no auschwitz.
E ter de arrumar alguém pra fechar time em cima da hora.
Depois dos intermináveis impasses envolvendo o destino de Ronaldinho, decidimos entrar na briga. O plural se explica: estou representando minha turma do futebol das terças para contar com Ronaldinho no jogo da noite de amanhã, uma terça, oras.
Ávido por fechar com um reforço tão importante, de imediato fiz contato telefônico com Roberto de Assis, irmão e representante do craque. Enviei mensagens com minhas intenções para cada um dos quatro celulares do procurador.
Passavam-se 23 minutos das 16h desta tarde quente na capital gaúcha quando um bip de mensagem ressoou no meu aparelho. Era Assis, dando sinal de vida por meio de um daqueles números - o de final 0171.
Foi direto como um raio:
- Este jogo seria interessante para o Ronaldo. Qual a propostas de vcs?
Um tanto tomado pelo entusiasmo, já imaginando uma linha de frente mágica composta por Luciano, Gonza e Ronaldinho (eu sou um dos que escolhe os times), repliquei. Meus números:
- Treze jogadores, a R$ 30 por cabeça, mais isenção total no valor da quadra. Churrasco com 10kg de costela e 12 caixas de cerveja após a partida.
A tensão volta a trincar minha espinha após o clique no botão enviar - talvez o clique mais importante da minha vida. Montei sítio ao lado do celular, aguardando um "sim". Dois minutos encerraram a espera. Direto do 0171, o torpedo de Assis:
- Começamos bem. Proposta de acordo. Só um adendo: 30 kg de picanha, 18 de granito, duas ovelhas e a exploração da quadra pelos próximos 250 mil anos.
Estremeci. Parecia um tanto exagerado, difícil de conseguir. Mas sou brasileiro, e brasileiro não desiste nunca. Disquei os dígitos do dono da quadra e, pasmem, o convenci em três minutos de conversa.
Ficou feliz, riu como um garoto. Algo me fez suspeitar de estar falando com um colorado, e o bom-senso tão necessário neste mundo de negócios calou minha boca em nome de um bem maior, a contratação de Ronaldinho.
E eu estava quase conseguindo. Nós. Do jogo das terças.
Estabeleci novo contato com Assis. Ousei. Estourei o orçamento. Em vez de SMS, ligação - sorte que era código 51.
- Assis? Tudo bem?
- Fala, fera!
- Aquela coisinha lá que você queria, eu consegui.
- A picanha?
- Não...
Assis interrompe, irritado:
- A cerveja? Não me vem com Skol, eu quero Colônia.
Modulei o tom de voz e respirei fundo. Seria preciso muito tato para retormar o fio, não inviabilizar a negociação.
- Não, Assis. Falo dos 250 mil anos de exploração da quadra aqui na Zona Norte de Porto Alegre.
- Ahh, claro, claro. Legal, fera, aprecio sua sensibilidade.
E se fez novo silêncio. Parecia interminável. Quarenta e cinco segundos sem palavras (fora algumas em italiano, pronunciadas ao fundo e audíveis na ligação). Arrisquei:
- Bueno, então fechamos, certo. Diz pro Ronaldinho aparecer lá uns 10 minutos antes das onze e meia. Tem que levar o próprio calção e a chuteira de sete.
Assis gargalhou. Senti o drama.
- Ih, parceiro, estamos quase lá. Por mim, até, já estamos lá. Mas falta a liberação dos italianos. Eles complicam horrores. O Galliani está aqui comigo e também curtiu a proposta. Só quer um aditivo.
- Qual? - pergunto, já horrorizado com um possível vexame por falta de créditos no celular.
- Galliani pediu carne. Jantar no rodízio do Tirol. E uma participação no programa da Márcia, no SBT. Gostaria de voltar a ter cabelos, e nesta passagem pelo Brasil descobriu que a produção paga implantes aos participantes...
Bufei de raiva, confesso. Mas jogar com Ronaldinho representaria a consagração, o ápice - e um desejo oculto, o de fazê-lo pular como um peixe para fora do aquário depois de um carrinho meu. Fui sucinto:
- Vou ver, retorno.
Na verdade, tratou-se de nova jogada estrategista. Imediatamente recarreguei os créditos e apelei para todos os contatos possíveis. Meu vasto network resolveu em 35 minutos. Atendi as exigências de Galliani. Ronaldinho voltaria, mesmo, aos gramados gaúchos.
Torno a chamar o celular de final 0171. Assis atende, com alguma demora. Antes do alô, faz ruídos. Parece mastigar uma pizza.
- Faaaala, fera? Fechamos?
Engoli seco, incrédulo.
- Fechamos?
- Você conseguiu as paradas do gringo?
- Consegui.
- Então me passa seu e-mail que encaminho a minuta do contrato. O Ronaldo disse que vai ser uma alegria maravilhosa jogar com vocês.
Transpassados estes trâmites, abro o laptop e acesso o Yahoo. Emoção no mais bruto estado. "Uma mensagem nova" pisca na tela. Receoso como sou, ainda temo por um e-mail do Peixe Urbano com 63% off no tratamento de resíduos na Eros Zaffine.
Nada disso. Assis escreveu. Um arquivo .doc em anexo. Contrato, contrato.
Leio a minuta. Assusta a empolação, com repetidos "outrossim" e "vossa senhoria". Não tanto como a cláusula de 20 milhões de euros de indenização caso o time de Ronaldinho - o de colete, obrigatoriamente - perca. Sem contar 99 anos de concessão da área do Cais Mauá, caso se machuque.
Pensei, pensei, consultei as bases, e todos acharam viável. Ele se paga, foi o que disseram.
Retornei o e-mail a Assis com um "ok" acompanhado de cópia escaneada do contrato, com minha assinatura. Abri uma Sidra Cereser, brindei, festejei, lavei calções, camiseta e meiões. Seria o jogo da minha vida. Até piscar a resposta de Assis.
Corri para o laptop.
- Beleza, fera. Confirmo em seguida. O pessoal do jogo das sete fez uma proposta muito boa, e para jogar duas vezes na mesma noite tem que haver uma compensação condizente com tamanho esforço do meu atleta. Ele já fechou com um pessoal aí pra um pagode às duas, e se não estiver 100% não tem espetáculo, magia, samba...
Deu vontade de chorar, confesso. Ainda assim, segurei a onda. Não respondi. Vou atacar com tudo no começo da tarde desta terça.
Será uma proposta irrecusável, nem que tenha de ceder o gerenciamento dos cadastros do Banricompras ad eternum.
Uma coisa, porém, ficou incomodando: a sensação de, no fim das contas, acabar tomando no auschwitz.
E ter de arrumar alguém pra fechar time em cima da hora.
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