10 março 2010

Guns!

Bueno, esses dias já tinha decidido que não iria mais ao show do Guns, como cheguei a anunciar por aqui. Era desconfiança, mesmo, principalmente pela ausência do Slash, e não é que aparentemente eu estava certo? Olhem essa crítica que saiu hoje, na Folha de S. Paulo:

MÚSICA

Crítica/ "Guns N" Roses"

Banda faz show genérico em Brasília

O vocalista Axl Rose, único remanescente da formação original do grupo, decepciona no início da turnê pelo Brasil

THIAGO NEY
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA

"Minha calça está caindo. Vocês não imaginavam que a minha calça fosse cair, não?" Axl Rose está inchado, mas não tão redondo quanto se esperava.
A referência à calça é das poucas frases que Axl dirige aos 13 mil fãs que lotaram o ginásio Nilson Nelson, em Brasília, para assistir ao primeiro show desta turnê do Guns N" Roses pelo Brasil -a banda passa ainda por Belo Horizonte (hoje), São Paulo (13/3), Rio de Janeiro (14/3) e Porto Alegre (16/3). O show era para ter acontecido às 20h30 de domingo. Mas às 20h30 subiu ao palco a banda brasileira Khallice.
Às 21h30, foi a vez de Sebastian Bach (ex-vocalista do grupo de hard rock Skid Row). Axl e seu Guns N" Roses apareceram apenas à 0h15 de anteontem. A apresentação acabou às 2h40. Em uma segunda-feira. O Guns N" Roses 2010 é Axl Rose e mais sete (guitarristas, tecladistas, baixista etc.).
Músicos competentes, executam os hits com perfeição, mas não deixa de ser uma espécie de banda de luxo cover. Não temos mais Slash, Duff McKagan, Izzy Stradlin, Matt Sorum, Steven Adler... Restou apenas Axl. E o curioso: é Axl quem destoa. Porque enquanto todos tocam as músicas de maneira irrepreensível, Axl já não dança e canta como antes. Falta fôlego em faixas como "Welcome to the Jungle", "Mr. Brownstone", "Rocket Queen".
A apresentação ganhou produção caprichada. Fogos de artifício estouram pelo palco durante boa parte do show. Há quatro telões de LED, em formato cilíndrico, além de chuva de papel picado, entre outros truques.
Seria cruel exigir que Axl, 48, ainda conservasse a energia que exibia aos 20 e poucos anos. Ele faz o que pode. Tenta simular os passos que o ajudaram a ficar famoso, mas o alongamento já não é mais o mesmo. Ele sai várias vezes do palco, enquanto os músicos solam ou terminam as canções.
Mesmo com o horário ingrato, o público acompanha o show com animação -principalmente nos hits antigos, como "Patience", "Nightrain", "Sweet Child o" Mine", "It's So Easy". Percebemos a falta que o guitarrista Slash faz ao Guns N" Roses: ele conseguia criar riffs poderosos, contagiantes.
As faixas mais recentes, do álbum "Chinese Democracy" (2008), como a faixa título, "Sorry" e "Better", causam efeito bem menor. O Guns N" Roses soa como uma banda genérica de hard rock.
Após "You Could be Mine", "Knockin" on Heaven's Door" e "Nightrain", a banda deixa o palco. Antes do bis, parte do público, aparentando cansaço, deixa o ginásio. Vem o bis. E um grupo de fãs, na pista, abre um bandeirão semelhante aos de torcidas organizadas de futebol. Os músicos sorriem, nunca devem ter visto coisa parecida em um show. O hino "Paradise City" encerra a noite-madrugada, em meio a ensurdecedores fogos.


GUNS N' ROSES

Avaliação: ruim

O repórter
THIAGO NEY viajou a convite dos organizadores do evento

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