20 setembro 2010

História do Olímpico

Da Caiu do Céu para o Olímpico
Sediado desde 1904 na Baixada, localizada no Moinhos de Vento, o Grêmio trocou de casa em 19 de setembro de 1954, quando inaugurou o Olímpico. Foi um processo longo _ durou aproximadamente 14 anos _  e complicado, mas valeu a pena: quando entrou em campo para enfrentar o Nacional, de Montevidéu, os gremistas podiam se orgulhar do maior estádio particular do Brasil à época.
Quem vai ao Olímpico, hoje, dificilmente imagina a metamorfose proporcionada pelo estádio na Azenha. Ao contrário do rival Inter, que ergueu o Beira-Rio onde antes havia apenas água, o Grêmio teve de desalojar uma espécie de favela e, ainda, negociar com os herdeiros de parte da área _ propriedade da viúva de Tibúrcio de Azevedo.
Mas, antes disso, alguém teve a idéia de abandonar a Baixada. Convenhamos, havia motivo: já em 1940, tratava-se de um estádio condenado pela prefeitura. Construído em madeira, travava luta contra os cupins e a própria ação do tempo _ certa vez, um antigo pavilhão desabou. Mesmo assim, a continuidade na Baixada tinha defensores. Até o alargamento do campo, de 61 para 70 metros, constitui-se em tentativa de continuidade. Pouco adiantou, graças à presidência de Telêmaco Frazão de Lima.
Em 1940, apoiado pelo colega Aneron Correia de Oliveira, o dirigente iniciou tratativas com a prefeitura para a permuta do terreno do Moinhos de Vento por outro na Avenida Carlos Barbosa. Acabou sendo a melhor opção para o Grêmio, mas não a primeira: cogitou-se levar o clube para a área do antigo Cine Castelo, também na Azenha. Considerada pequena para as ambições gremistas, acabou descartada, da mesma forma que um campo onde hoje está a Avenida Farrapos.
Em 16 de setembro de 1940, a direção gremista visitou o salão nobre da prefeitura e oficializou, com o prefeito José Loureiro da Silva, a troca da Baixada pela área na Carlos Barbosa. No ano seguinte, com Aneron Correia de Oliveira à frente do clube, o Grêmio depositou a pedra fundamental do Olímpico. Daí até o início da obra, porém, passaram-se mais de 10 anos.
A explicação fica na composição do terreno. Com 75 mil metros quadrados, abrigava a Vila Caiu do Céu. O nome faz menção à situação dos moradores, gente pobre e instalada ilegalmente no local. Havia de tudo: bares, armazéns, salão de beleza e até uma igreja para atender os mais de mil casebres.
Por tudo isso _  e mais a questão do espólio da viúva de Tibúrcio de Azevedo _, o Grêmio só tomou posse de seu terreno em 1948. Faltava, ainda, desalojar a vila. A tarefa coube à comissão composta pelos gremistas Salvador Bruno, Alfredo Obino e Joaquim Só Gonçalves, interlocutores do prefeito Ildo Meneghetti na negociação.
A muito custo, os dirigentes e Meneghetti removeram as famílias em 1951 para áreas escolhidas pela prefeitura. Com o terreno limpo, foi possível iniciar as obras em 12 de dezembro do mesmo ano.
Antes, porém, foi preciso planejar o Olímpico, definir como custeá-lo e chegar a um modelo de estádio. Tudo aconteceu na presidência de Saturnino Vanzelotti, que assumiu em 1949 e fez da casa nova uma prioridade.
_ Todo mundo achou que ele era louco _ lembra o gremista histórico Salim Nigri, ao falar da ousadia do presidente.
Em 8 de janeiro de 1951, Vanzelotti e uma comissão julgadora definiram o vencedor do concurso público para o anteprojeto do Olímpico _ a proposta de Plínio Oliveira Almeida, Naum Turquenitch e Edison Ribeiro venceu e recebeu Cr$ 18 mil como prêmio. Em segundo lugar, ficou Armando Ballista, que acabaria tendo papel decisivo nas obras.
A partir daí, veio a fase de captação de dinheiro e início do trabalho dos operários. Arrecadar fundos envolveu campanhas como a Grande Tômbola Pró-Estádio Tricolor, de janeiro de 1951, e outras rifas, doações de torcedores e promoções. Como previsto, houve dificuldades _ coisa que acarretou no adiamento da inauguração do Olímpico. A previsão original apontava 1953, ano do cinqüentenário do Grêmio.
A construção começou em 24 de abril daquele ano e foi relativamente rápida, pois terminou um ano e cinco meses depois. Houve pequena participação do governo federal com a retificação do Arroio Cascatinha, sob responsabilidade do Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS).
Na parte gremista, o comando dos trabalhos coube ao engenheiro Sylvio Toigo Filho, dono da construtora Toigo e que executou a obra de graça. Ele e seus operários erigiram um estádio que serviu como base para o Olímpico atual _ na década de 1970, houve ampliação para o modelo com as arquibancadas superiores completas.
O estádio original contava com anel inferior fechado e um pavilhão coberto, onde ficavam tribuna de honra e duas mil cadeiras. A capacidade total chegava a 38 mil pessoas. No campo, existia uma pista atlética _ daí o nome Olímpico, sugestão de Vanzelotti, pois a casa gremista serviria também para a prática de esportes olímpicos.
Sob o sol de 19 de setembro de 1954, Hermínio Bittencourt abriu os portões do estádio ao meio-dia e começou a receber sócios e torcedores para a festa. A solenidade de inauguração começou às 15h, com desfiles da banda da Brigada Militar e de diversos representantes do Grêmio _ entre eles, Pedro Carvalho Haeffner e Carlos Faedrich, da turma de fundadores em 1903.
Em campo, com uma atuação considerada brilhante, o Grêmio venceu o Nacional por 2 a 0 _ gols de Vitor. Coube a ele, junto da torcida, a primeira das muitas comemorações do local que serve como morada gremista há quase 58 anos.

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